BRASÍLIA - O presidente do Paraguai, Santiago Peña, assinou na sexta-feira (1º/5) decretos que regulamentam a nova Lei do Etanol. A partir de agora, a legislação estabelece que 50% do etanol utilizado na mistura obrigatória com combustíveis deve ser proveniente da cana-de-açúcar nacional. 

Leia mais: Governo Lula lança nova rodada de crédito de R$ 21 bi para renovação da frota de caminhões e ônibus

Segundo Peña, o objetivo é fortalecer a produção local, impulsionar o setor sucroalcooleiro e gerar empregos no país. 

Além de garantir o fortalecimento da produção local, a regulamentação promete criar mecanismos de controle que assegurem que a mistura de álcool anidro aos combustíveis fósseis priorize o etanol produzido no Paraguai. 

O governo paraguaio destacou também que essa estratégia visa assegurar uma demanda estável para o setor sucroalcooleiro, proporcionando maior previsibilidade aos produtores e promovendo um ambiente de mercado mais consistente. 

Em janeiro de 2025, o Paraguai iniciou um aumento da mistura de álcool na gasolina, com um decreto que estipulava 30% de álcool. 

A iniciativa segue uma tendência global de incentivo à produção de biocombustíveis, alinhando-se com práticas adotadas por outros países para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e promover energias renováveis. 

Brasil, por outro lado, busca ampliar porcentagem 

Já o governo brasileiro busca ampliar a porcentagem de etanol no combustível. Desde agosto do ano passado, o Brasil ampliou a mistura obrigatória de etanol na gasolina para 30%.  

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou na última quinta-feira (30/4) que o governo anunciará um aumento da mistura de etanol para 32% nos próximos dias. Segundo ele, haverá ainda o aumento da mescla de biodiesel no diesel de 15% para 16%. 

A discussão acontece em meio à alta mundial do preço do petróleo, resultado da guerra no Oriente Médio, e faz parte da estratégia do governo para reduzir a dependência de combustíveis importados. 

O ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, já afirmou que a ampliação da mistura pode levar o país a zerar as importações de gasolina, colocando o Brasil em condição de autossuficiência no abastecimento. A estimativa do Ministério de Minas e Energia é que a mudança reduza em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de compras externas do combustível.