A oposição ao governo Mateus Simões (PSD) reclamou do “leilão” de 95 escolas estaduais realizado nesta segunda-feira (30/3) na bolsa de valores de São Paulo, a B3. O vencedor é um grupo de investimentos que, ao longo de 25 anos, será responsável pela administração patrimonial das escolas, substituindo serviços atualmente realizados por servidores públicos, como manutenção, limpeza, tecnologia da informação, jardinagem e segurança. 

Em troca, o grupo vencedor irá receber R$ 22,3 bilhões, uma redução de 14,17% no valor de referência do certame, com o compromisso de fazer investimentos de R$ 5,1 bilhões nos próximos 25 anos. O serviço pedagógico de direção e administração de aulas continuará por conta do estado através do corpo docente.

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O governo avalia que a iniciativa deve beneficiar cerca de 70 mil estudantes em 34 municípios, onde ficam as escolas com estrutura leiloada. A aposta é que o novo modelo de gestão possa garantir maior agilidade na resolução de demandas estruturais e na execução de melhorias nas salas de aula, bibliotecas, laboratórios, cozinhas e refeitórios, além de áreas externas como quadras, pátios e espaços de convivência.

Um dos pontos questionados pela oposição ao governador Mateus Simões (PSD) é que o grupo vencedor, o IG4 BTG Pactual Health Infra, não tem experiência no tipo de serviço que será ofertado.

“É um fundo de investimentos, que vive no mercado de especulação. É a mesma turma que está no Peru, cuidando do metrô, é a mesma turma que no Rio de Janeiro assumiu a questão da água e do esgoto”, disse a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT). “É um fundo de investimento que viu em Minas Gerais esse filé”, comentou.

A deputada federal Dandara Tonantzin (PT) também lamentou a conclusão do processo e disse que esse foi um mau começo para o governo Simões. “95 escolas estaduais vendidas: essa é a “grande” estreia de Mateus Simões à frente do governo de Minas Gerais. Vendeu as escolas para o mesmo grupo (IG4 BTG Pactual Health Infra) que comprou o hospital de BH. São mais de R$ 5,1 bilhões de recursos públicos da educação entregue hoje de bandeja. Escolas não são números. São territórios, vínculos, histórias. A escola pública não pode ser tratada como mercadoria”, disse.

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Promessa de investimentos

Antes de bater o martelo, Felipe Tonetti, diretor executivo da IG4, destacou a trajetória da empresa, que agora expande sua atuação para o setor de ensino. "A Opy nasceu aqui (na bolsa) há cinco anos e vemos tendo essa disciplina junto dos nossos acionistas, a IG4 e o BTG", disse. Com a vitória no pregão, agora, será criada a empresa chamada Opy Educação que administrará as instituições de ensino. 

Tonetti reforçou durante a transmissão ao vivo que o foco da concessionária será a eficiência operacional. "A gente fala muito de disciplina financeira, austeridade, mas o que interessa é que o cidadão na ponta precisa ter um serviço de qualidade. E a gente pretende trazer isso na educação", pontuou o executivo, completando que o projeto "representa muito mais que uma concessão", pois marca "um novo capítulo para o setor público".

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Para o governo mineiro, o leilão consolida o Estado como um polo de projetos modernos de infraestrutura. Pedro Bruno Barros de Souza, secretário de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, lembrou o histórico de concessões da gestão atual. "Fizemos lá atrás a primeira PPP do sistema prisional, fizemos ano passado a primeira PPP de unidades socioeducativas do Brasil, fizemos ano passado o leilão de saúde, que talvez tenha sido o maior leilão dos últimos anos. Os concorrentes do leilão de saúde estão representados também na educação", observou.

Para o secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares, esse é um projeto visionário, que vai levar mais qualidade diretamente à ponta, onde a sociedade percebe, de fato, o serviço público sendo entregue.  
 
“Essa PPP representa uma oportunidade inovadora para a educação em Minas Gerais e pode servir como referência para que o Brasil avance ainda mais em experiências semelhantes”, frisou.