O assassinato do casal de idosos Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, ganhou novos elementos de análise sobre o comportamento da suspeita, a diarista Paola Stefany, de 30. A criminóloga Cláudia Pádua analisou as imagens de segurança, o histórico do caso e informações de fontes ligadas à investigação, traçando um perfil que aponta para frieza, premeditação e ausência de empatia por parte da assassina confessa.

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As investigações apontaram que Paola teria permanecido no apartamento das vítimas entre 7h e 15h, período em que o crime foi cometido, na última segunda-feira (29/6), e os pertences foram levados do imóvel. Para a especialista, a dinâmica do dia do crime começa a se revelar já na chegada da diarista ao prédio.

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"Me chama a atenção porque ela estava com o celular e digitava no aparelho enquanto chamava no interfone. Ao chamar no apartamento, parece que ela está apreensiva e doida para entrar", avalia Cláudia Pádua.

A hipótese do agiota e a premeditação

A Polícia Civil investiga a participação de terceiros ou se a suspeita sofria pressões externas. A criminóloga levanta a hipótese de que o comportamento ansioso ao telefone estivesse ligado a uma cobrança financeira iminente.

"Para mim, essa pessoa que estava esperando [do lado de fora quando ela deixa o imóvel] pode ser um agiota. O carro é bom, agiota tem posse, e isso precisa ser investigado. Ela estava no telefone trocando mensagens o tempo inteirinho. Deve ter falado que ia trabalhar, que receberia o valor, e pedido para ele esperar", analisa.

Ainda segundo a especialista, as ações da suspeita no local e a escolha de levar remédios de uso controlado contrapõem a tese de um surto momentâneo. "Ela foi já com o intuito de execução. Anda na bolsa com comprimidos e pensou: 'Quem eu ver, será fatal para mim'. Ela é uma pessoa fria. Deu tantas facadas, isso é ódio. Já que vai roubar, rouba o que tem, já deu o prejuízo e deu o remédio para deixar as pessoas grogues, vai embora. Por que executar?", questiona.

Após o crime, a suspeita teria tomado banho no local e utilizado produtos de limpeza para tentar ocultar os vestígios. "O tempo inteiro mostra que ela não tem empatia com o outro. Não existe afeto nessa pessoa; ela colocou o filho em uma situação terrível dessas", complementa a criminóloga.

Contestação de insanidade mental

A defesa da suspeita sinalizou que pode solicitar exames para avaliar a saúde mental de Paola, mencionando um possível quadro de esquizofrenia. No entanto, Cláudia Pádua contesta a viabilidade dessa linha técnica com base nas ações coordenadas da diarista. "Isso já é da personalidade dela, e agora falar que tem esquizofrenia é muito fácil. O esquizofrênico não pensa como ela pensou e não arquiteta; ele age naquele momento", argumenta a especialista.

A fuga e a tentativa de disfarce diante das câmeras de segurança também são apontadas como indícios de uma conduta consciente e calculada, segundo Cláudia. "Ela sai com passo acelerado. Depois, fala com a família que vai para o Espírito Santo. Mais um erro. Ela não queria ser encontrada nem pelos parentes, pois foi, na verdade, para Itabira", complementa.

Preocupação com a vaidade

Segundo Cláudia, fontes ligadas à investigação relataram que, mesmo após ser detida, as prioridades da suspeita divergiam da gravidade do crime. "Durante o exame de corpo de delito, a principal preocupação relatada por Paola não era a situação do filho ou o duplo homicídio, mas sim a preservação de seu mega hair", afirmou a criminóloga. 

Para a especialista, o conjunto de ações define o perfil de Paola: "Uma pessoa ardilosa", conclui.